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Rosamaria: “Valeu a pena ter seguido o meu coração”

Por Kenia Telles 

Rio, 7/8/2021 – Nem nos seus melhores sonhos, Rosamaria poderia projetar um penúltimo capítulo dos Jogos Olímpicos de Tóquio tão espetacular. Ainda a um passo do desfecho final, a jogadora da seleção brasileira feminina de vôlei acredita que o trabalho em equipe falou mais alto e é assim que deverá prevalecer na decisão contra os Estados Unidos, no próximo domingo. O Brasil buscará sua terceira medalha de ouro olímpica repetindo os feitos de 2008, em Pequim, e em 2012, em Londres. 

FOTO: FIVB

“A gente sabia que corria por fora, que havia seleções com jogadoras espetaculares, mas, ao mesmo tempo, a gente também sabia que tinha condições e que chegaria até aqui como grupo. Uma marca do Brasil é o trabalho de equipe. Foi assim que esteve em todas as finais olímpicas nos últimos anos, exceto no Rio. Então não é por acaso, não é sorte. Tenho certeza de que se a gente quiser ganhar o ouro, será jogado como grupo. A gente nunca dependeu de uma jogadora só. Isso ficou nítido e por isso estamos na final. Tenho muito orgulho disso. Os Estados Unidos têm um grande time, jogam muito bem taticamente, têm muitas peças de reposição e um trabalho maravilhoso. Vamos deixar o coração dentro de quadra. Vai ser uma grande batalha”. 

Começar a partida semifinal contra a Coreia do Sul como titular pela primeira vez nestas Olimpíadas não assustou a oposto da seleção brasileira. O Brasil venceu por 3 sets a 0, repetindo o resultado da fase classificatória. 

“Não era esperado, mas eu treinava e buscava isso. Acabou acontecendo meio repentinamente, mas a minha cabeça estava preparada para isso a qualquer momento. Não preparei a minha cabeça há dois dias para jogar uma semifinal olímpica, um jogo de quartas de final, uma Olimpíada em si. Há muito tempo que eu desejo isso, então há muito tempo venho me preparando. As pessoas acham que é uma coisa simples, de uma hora para a outra. Muito pelo contrário. Me preparei muito tempo antes para entrar da melhor maneira possível quando tivesse a oportunidade”, ressaltou Rosamaria. 

O nome da jogadora foi um dos mais comentados já na vitória brasileira por 3 sets a 1 sobre a Rússia nas quartas-de-final, quando entrou a partir do segundo set no lugar de Tandara e não saiu mais. Ela marcou 16 pontos, sendo seis de bloqueio, oito de ataque e dois de saque. 

“Tenho certeza de que tudo valeu a pena para chegar até aqui. Muitas vezes escutei de outras pessoas que não precisava ir treinar porque estava cansada, e eu fui mesmo assim; ou outras pessoas que não acreditavam em mim. Eu tinha o sentimento de que devia fazer alguma coisa e fiz. Fui muito responsável e abri mão de muitas coisas para estar aqui hoje. A certeza de que me doei 100% é o que me faz ter segurança, felicidade, e saber que a gente merece, que eu mereço, que eu conquistei isso aqui. É uma sensação de satisfação mesmo. Mas acho que valeu a pena ter acreditado nas minhas convicções, nos meus valores, mesmo que outras pessoas não entendessem. Valeu a pena ter seguido o meu coração sem dar ouvido às pessoas que não entendiam o meu foco”. 

Estreante em Jogos Olímpicos, Rosamaria chega à final em Tóquio com 40 pontos, sendo 27 de ataque, 11 de bloqueio e dois de saque. Nesta sexta, contra a Coreia, ela marcou 10 vezes. 

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