Tricolor carioca resiste aos 4.000 metros de altitude e segue na Copa Sul-Americana Jogando em condições adversas durante os 90 minutos derrota do Fluminense por dois gols de diferença garante classificação para a próxima fase

Créditos: AFP

Frio. Altitude de 4.067 metros. Gramado duro e esburacado. Problemas de logística na viagem a Potosí. Na classificação do Tricolor das Laranjeiras para a segunda fase da Copa Sul-Americana, mesmo perdendo o jogo por 2 x 0, não faltaram motivos para o torcedor tricolor se orgulhar da equipe do Fluminense. Já na ida da delegação para a Bolívia, os problemas começaram a surgir antes mesmo da viagem começar. Isto porque como o aeroporto de Sucre estava fechado por conta de problemas políticos enfrentados pelo país, todo o plano de voo definido anteriormente pela Diretoria teve de ser reprogramado, o que obrigou a delegação tricolor a mudar toda sua logística e fez com que a comitiva chegasse no mesmo dia do jogo, há poucas horas do início da partida.  Já no campo de jogo, antes mesmo do embate começar, outros fatores contribuíram para dificultar ainda mais o confronto: a temperatura de sete graus, os mais de 4.000 metros de altitude e o gramado do estádio Vítor Agustín Ugarte, duro e esburacado.

Quando a partida começou já era nítido o desconforto dos jogadores da equipe do Fluminense com o ar rarefeito. A velocidade da bola, bem mais rápida, fator bastante comum nas cidades mais altas, também interferiu muito no andamento do jogo. Isto porque foram várias as vezes em que a equipe carioca sofreu com o tempo de bola, principalmente em chutes de longa distância e tentativas de lançamento prejudicados. Os chutes de fora da área foram bem utilizados pela equipe boliviana nos primeiros 45 minutos, já que o clube de Potosí está mais acostumado a jogar nestas condições adversas. Todos os arremates, porém, foram bem defendidos pelo goleiro Júlio Cesar, que sofreu com os “tiros” em alguns momentos. O Fluminense procurava se entrincheirar em seu campo de defesa e, quando tinha a posse da bola, como em laterais e faltas recebidas, tentava diminuir a velocidade do jogo para frear o ímpeto da equipe do Nacional. Fim do primeiro tempo, 0 x 0. Alívio para jogadores, comissão técnica e torcedores já que metade do objetivo já havia sido cumprido. E haja cilindro de oxigênio!

No segundo tempo, o Fluminense deu indícios de que melhoraria seu desempenho na partida, provavelmente já mais acostumado com a altitude, porém, logo aos cinco minutos, em uma boa investida pelo lado direito de ataque da equipe boliviana, o Nacional de Potosí abriu o placar com Reina, principal jogador do time. A falha crucial foi do lateral esquerdo Marlon, que havia entrado no intervalo em substituição ao jogador Ayrton Lucas, sentindo os efeitos do ar rarefeito. Logo após ter levado o gol, o Fluminense conseguiu organizar dois bons contra-ataques com Pablo Dyego e Pedro, porém ambos não foram efetivos na hora da conclusão. Já aos quinze minutos da segunda etapa, desta vez em um ataque pelo lado esquerdo, a equipe boliviana teve um pênalti duvidoso marcado a seu favor e prontamente assinalado pelo árbitro. O atacante Reina, um dos poucos jogadores técnicos da equipe de Potosí, foi para a bola e converteu com tranquilidade: 2 x 0. O goleiro Júlio Cesar, principal destaque no primeiro tempo, ainda acertou o canto do gol, mas não foi o suficiente para efetuar a defesa.

Pressão? Desespero? Afinal, apenas mais um gol era suficiente para a equipe boliviana levar a decisão da vaga para os pênaltis. Que nada! Logo após o segundo gol, quando parecia que o time boliviano partiria para cima do Fluminense, os jogadores do Nacional também sentiram o desgaste, o ritmo da partida diminuiu drasticamente e a equipe carioca, bem posicionada em seu campo de defesa, conseguiu controlar as ações do jogo. O Tricolor das Laranjeiras ainda tentou alguns ataques porém, aquela altura, não havia mais “gás” para correr atrás da bola e o time preferiu fechar os espaços da equipe boliviana, que, mesmo após algumas investidas ao ataque até o final do jogo, foi pouco efetivo e quase não ameaçou mais a meta tricolor. O trio de arbitragem ainda concedeu seis minutos de acréscimo, mas a partida terminou mesmo em 2 x 0 para o Nacional de Potosí. Como no jogo da ida realizado no Maracanã o Fluminense havia vencido por 3 x 0, a classificação heroica para a segunda fase do Torneio Continental foi conquistada com todos os méritos pelo placar agregado de 3 x 2.  Que venha a segunda fase!

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Repórter: Marcio Miceli

Jornalista

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