Botafogo volta a vencer no Campeonato Brasileiro após nove partidas de jejum Alvinegro Carioca se superou e bateu a equipe do Palmeiras no Engenhão, derrubando a invencibilidade alviverde

Botafogo e Palmeiras aguardam o apito inicial do árbitro – Créditos: Marcio Miceli de Oliveira

Noite de quarta-feira na cidade do Rio de Janeiro. Por volta das 22hs, uma chuva forte, recheada de raios e trovões, começa a cair no estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro. Em campo, em jogo válido pela décima quarta rodada do Campeonato Brasileiro, duas equipes antagônicas na classificação do Brasileirão 2020: de um lado o Botafogo, o time da casa, na vice-lanterna da competição, com apenas 1 vitória, 9 empates e 3 derrotas. Do outro lado, o Palmeiras, no G-4, invicto, com 5 vitórias e 7 empates em 12 jogos disputados até aqui. Seria um prenúncio de mais uma tragédia botafoguense? Será que aquele famoso jargão proferido pelos torcedores alvinegros, de que “há coisas que só acontecem ao Botafogo”, daria mais uma vez as caras? Só que não. Porque desta vez, contrariando todos os prognósticos previstos pela maioria das pessoas, o Botafogo finalmente conseguiu se reencontrar com a vitória. Triunfo este que não vinha desde a quarta rodada do Campeonato Brasileiro, na vitória por 2 x 1 em cima do então líder da competição (e atual também) Atlético Mineiro. Desde o início da partida, o Botafogo parecia mais determinado em, desta vez, quebrar finalmente este incômodo tabu de quase uma dezena de empates. Porque as derrotas mesmo, assim como as vitórias, também são escassas no campeonato. Apenas três em treze jogos até o momento. Dominando territorialmente a equipe do Palmeiras, o Glorioso de General Severiano, assim como em boa parte de seus jogos, parecia prevalecer sobre o seu adversário e ter o controle da partida. As chances efetivas de gol, porém, eram bem escassas.

O Palmeiras, com seu jogo previsível e modorrento, apesar da boa colocação no campeonato, também não parecia muito preocupado em atacar, só em defender. Criava raríssimas chances de gol, sentia-se mais à vontade tocando a bola de lado em seu campo de defesa e congestionando o meio de campo alvinegro. E o primeiro tempo sonolento terminou mesmo empatado em 0 x 0. Já na volta do segundo tempo, as equipes voltaram com as mesmas formações iniciais, porém o jogo despertou após a preguiça coletiva que prevaleceu nos 45 minutos iniciais. Isto porque, logo aos 53 segundos do segundo tempo, após boa jogada pela direita, o atacante botafoguense Pedro Raul se aproveitou de um cruzamento e tocou para o fundo das redes, abrindo o placar no Engenhão: Botafogo 1 x 0 Palmeiras. Seis minutos mais tarde, quando o Palmeiras se preparava para realizar as três primeiras substituições na partida, o Botafogo, após boa jogada pelo meio, se aproveitou do rebote de uma falta cobrada na barreira palmeirense e Caio Alexandre empurrou para o fundo das redes, fazendo 2 x 0. Inicialmente, o juiz da partida anulou o gol alvinegro, já que o bandeirinha havia dado impedimento do ataque botafoguense. Porém, após revisão da cabine do VAR, o árbitro paranaense Rodolfo Toske Marques, confirmou o gol alvinegro, para delírio de jogadores e comissão técnica do time da casa, e decepção e protestos por parte da equipe alviverde. Sem ter muito o que fazer, o técnico Vanderlei Luxzemburgo se viu obrigado a queimar mais duas alterações e partir para o tudo ou nada dentro da partida para tentar reverter a desvantagem de dois gols no placar.

E com as entradas de Gustavo Scarpa e Lucas Lima, aos dezessete minutos do segundo tempo, o Palmeiras partiu de vez para cima do Botafogo, que, com a vantagem de 2 x 0, recuou demasiadamente e passou a tomar sufoco. A blitz palmeirense, na verdade, começou já logo após o segundo gol sofrido, porém se intensificou com a entrada destes dois atletas, que começaram a atacar muito pelo lado esquerdo, principalmente com Gustavo Scarpa, que não pode ser reserva neste time. A pressão alviverde era tão grande que, de tanto insistir e perder inúmeros gols, principalmente graças ao goleiro Diego Cavalieri, a equipe de Vanderlei Luxemburgo diminuiu aos 31 minutos do segundo tempo com William “Bigode”. Àquela altura, o Botafogo se defendia como podia e o Palmeiras pressionava a saída de bola alvinegra, que tentava sair do campo de defesa. Até que em um destes contra-ataques, o atacante William recebeu uma bola cara a cara com Diego Cavalieri, invadiu a área, mas o goleiro botafoguense entrou de sola no atacante palmeirense e foi punido com o cartão amarelo. Inicialmente, o bandeirinha apontou impedimento do ataque alviverde, porém, após revisão pelo VAR, mais uma vez acionado, o juiz da partida reviu a jogada e decidiu marcar pênalti para o Palmeiras, aos 37 minutos do segundo tempo, seis minutos após o primeiro gol. Mas a noite era de Diego Cavalieri. Tanto que o atacante William caminhou para a marca da cal, chutou à meia altura, e o goleiro fez uma grande defesa, para alívio de todos os botafoguenses. Jogadores, torcedores (acompanhando pela televisão) e membros da comissão técnica.

A perda do pênalti, porém, não abalou o ânimo dos jogadores alviverdes, que continuaram tentando chegar ao gol de empate, principalmente graças as jogadas pela esquerda de Gustavo Scarpa. O Botafogo se aproveitou da pressão que vinha sofrendo e queimou as últimas substituições as quais tinha direito para tentar esfriar o jogo. Após o esgotamento do tempo regulamentar, a arbitragem concedeu mais oito minutos de acréscimo, para desespero do alvinegro carioca. A equipe do “Porco”, que continuava a pressionar seu adversário foi, aos poucos, perdendo o gás na partida e, mesmo com tantos minutos a mais, não conseguiu criar nenhuma chance de perigo contra a meta alvinegra. Fim de jogo, alívio para Bruno Lazaroni e jogadores botafoguenses, que comemoraram muito a vitória que não vinha há nove jogos, inclusive na entrada para o vestiário. Aos jogadores palmeirenses, sobrou decepção e reclamação por parte do volante Felipe Melo, que ao descer para o vestiário, gritou para o quarto árbitro da partida que, no segundo gol alvinegro, o juiz havia apitado o impedimento antes da bola entrar no gol de Jaílson, que também acabou sendo advertido por cartão amarelo por reclamação neste lance. De nada adiantou. Na próxima rodada do Brasileirão 2020, a décima quinta, o Palmeiras recebe o São Paulo, no Allianz Parque, pelo clássico paulista, neste sábado, às 19hs, pelo horário de Brasília, em busca de recuperação. Já o Botafogo visita a equipe do Sport Recife, no próximo domingo, na Ilha do Retiro, às 18h15, pelo horário de Brasília e busca incessantemente deixar a zona de rebaixamento.

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Repórter: Marcio Miceli

Jornalista

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